Europride em Portugal? Maior evento LGBTI da Europa pode gerar receitas de 2.000 milhões

Portugal quer receber o maior evento de celebração do orgulho gay na Europa em 2022. A carta de intenções ao Europride – que este ano acontece em Viena, Áustria – foi entregue em janeiro de 2019, numa candidatura conduzida pela Variações – a Associação de Comércio e Turismo LGBTI de Portugal, com apoio da ILGA Portugal e do Governo português.

A candidatura foi apresentada à direção da associação europeia responsável pelo EuroPride, a EPOA – numa cerimónia em que esteve presente a secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Rosa Monteiro. Na corrida para receber o EuroPride em 2022, Portugal concorre com Barcelona (Espanha), Maspalomas (ilhas Canárias, também em Espanha) e Belgrado (Sérvia). O anfitrião é conhecido em setembro deste ano.

A governante explicou, na altura, que este tipo de evento está previsto na Estratégia Nacional para a Igualdade e a Não-Discriminação, defendendo que serve para tornar mais visíveis e reconhecidos os problemas efetivos das pessoas LGBTI (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Trans e Intersexo).

O EuroPride teve a primeira edição em 1992, em Londres. Até agora, 2007 foi a edição com mais sucesso. Aconteceu no país vizinho, com Madrid a receber mais de 2,5 milhões de visitantes.

Em 2018,, realizou-se em Estocolmo e Gotemburgo, na Suécia. Este ano, será em Viena, seguindo-se Salónica, na Grécia (2020) e Copenhaga, na Dinamarca (2021).

Fomentar Portugal como destino turístico LGBTI

O documento Estratégia Turismo 2027, do Turismo de Portugal, já promove, aliás, esse objetivo, focando a necessidade de “Promover Portugal como destino LGBTI”.

A responsável, em nome do Governo português, argumentou que este é um evento que terá um impacto financeiro muito considerável, quer pelo número de pessoas que atrai – poderá mobilizar entre 500 mil a um milhão de pessoas, segundo a Variações -, quer pelo dinamismo económico que suscita, estando confiante nas hipóteses da candidatura de Portugal sair vencedora.

“Num mundo que muitas vezes rejeita e ataca as pessoas por serem quem são, por se expressarem de formas que elas sentem naturais, e por amar aqueles que não podem mas mesmo assim amam, temos que relembrar nós mesmo e a outros que a comunidade LGBTIQ+ é maior que qualquer cidade, país ou continente. Que a nossa comunidade vai para além de todas as fronteiras e se ergue acima de todas as barreiras”, lê-se na carta de intenções.

Europride pode gerar receitas de 2.000 milhões

No mercado nacional existem, pelo menos, um milhão de consumidores LGBTI, aos quais se podem somar os mais de dois milhões de pessoas LGBTI que visitam Portugal anualmente – os números são da Variações, que falou com o idealista/news há um ano, perspetivando o impacto que um evento desta dimensão teria na economia portuguesa.

Dados da Secretaria de Estado do Turismo mostram que, em média, os turistas LGBTI gastam o dobro dos restantes turistas e têm elevado poder de compra — e os maiores mercados “emissores” de turistas LGBTI são a China, a Índia, a Indonésia, o Brasil e a Rússia.

Segundo o diretor-executivo da Variações, Diogo Vieira da Silva, os proveitos para a economia nacional poderiam traduzir-se em receitas de 2.000 milhões de euros.

À data da entrevista, o responsável falava da importância de “querer colocar Portugal no mapa LGBTI”, adiantando o trabalho que a Variações já estava a fazer nesse sentido, nomeadamente na construção de uma marca e campanha para dar a conhecer o potencial do país, a “Proudly Portugal”, lançada esta quinta-feira, 27 de junho de 2019.